Dólar cai a R$ 5,53 com prévia da inflação no Brasil e PIB nos EUA; Ibovespa retoma os 160 mil pontos

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,95% nesta terça-feira (23), cotado a R$ 5,5307. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 1,46%, aos 160.456 pontos. Apesar do calendário enxuto à...

23/12/2025 | Economia

 

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em queda de 0,95% nesta terça-feira (23), cotado a R$ 5,5307. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 1,46%, aos 160.456 pontos.
Apesar do calendário enxuto às vésperas do Natal, o dia trouxe dados relevantes para os mercados e foi marcado por maior apetite por risco. A prévia da inflação no Brasil e os indicadores de atividade econômica nos Estados Unidos ajudaram a direcionar o humor dos investidores.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
▶️ No Brasil, o IPCA-15 avançou 0,25% em dezembro e acumulou alta de 4,41% em 12 meses, permanecendo dentro do teto de tolerância da meta de inflação do Banco Central. O resultado veio levemente abaixo das projeções do mercado, de 0,27% no mês e 4,43% no ano.
▶️ Nos EUA, destaque para o PIB do terceiro trimestre, que registrou alta anualizada de 4,3%, acima da projeção de 3,3%. Também foram divulgados os dados de produção industrial de novembro e os indicadores de confiança do consumidor, utilizados para medir o ritmo da economia.
▶️ No mercado internacional, o ouro superou a marca de US$ 4.500 por onça, após registrar recorde de US$ 4.497,55. A valorização no ano já supera 70%, sustentada pela busca por proteção, expectativa de cortes nos juros americanos, compras de bancos centrais e movimento de desdolarização.
▶️ A bolsa brasileira, não terá pregão amanhã (24) nem na quinta-feira (25), o que encurta a semana e tende a reduzir a participação dos investidores. Com isso, a expectativa é de menor liquidez ao longo dos próximos dias, um ambiente que costuma intensificar as oscilações dos preços.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado:
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,03%;
Acumulado do mês: +3,67%;
Acumulado do ano: -10,50%.
📈Ibovespa

C

Acumulado da semana: +1,25%;
Acumulado do mês: +0,87%;
Acumulado do ano: +33,40%.
Prévia da inflação
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, avançou 0,25% em dezembro, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE. Em dezembro de 2024, o índice havia registrado alta de 0,34%.
Com esse resultado, o IPCA-15 encerra o ano com inflação acumulada de 4,41%, permanecendo dentro do intervalo da meta perseguida pelo Banco Central.
A variação de dezembro ficou 0,05 ponto percentual acima do resultado de novembro, quando o IPCA-15 avançou 0,20%. Ainda assim, o número veio levemente abaixo das expectativas do mercado, que projetavam alta de 0,27% no mês e inflação de 4,43% no acumulado de 12 meses.
Dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o indicador, sete apresentaram aumento de preços em dezembro. O maior avanço e também o principal impacto sobre o índice vieram do grupo Transportes, que subiu 0,69% no mês e respondeu por 0,14 ponto percentual do resultado total.
Em sentido oposto, o grupo Artigos de Residência registrou queda de 0,64%, retirando 0,02 ponto percentual do índice. Esse foi o quarto recuo consecutivo nos preços médios do grupo, o que ajudou a conter uma alta ainda maior da inflação no período.
Veja abaixo a variação dos grupos em dezembro:
Alimentação e bebidas: 0,13%
Habitação: 0,17%
Artigos de residência: -0,64%
Vestuário: 0,69%
Transportes: 0,69%
Saúde e cuidados pessoais: -0,01%
Despesas pessoais: 0,46%
Educação: 0,00%
Comunicação: 0,01%
Agenda econômica
PIB dos EUA
A economia dos Estados Unidos cresceu em ritmo mais forte do que o previsto no terceiro trimestre, sustentada principalmente pelo aumento dos gastos dos consumidores.
Ainda assim, os dados indicam uma perda de fôlego mais recente, em meio ao encarecimento do custo de vida e aos efeitos da paralisação do governo federal ocorrida no período.
Segundo a estimativa inicial divulgada nesta terça-feira pelo Departamento de Comércio, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou a uma taxa anualizada de 4,3% no terceiro trimestre.
No segundo trimestre, o crescimento havia sido de 3,8%. O resultado superou as projeções de economistas consultados pela Reuters, que esperavam uma alta de 3,3%.
🔎 A divulgação do relatório foi adiada em razão da paralisação do governo norte-americano, que durou 43 dias, o que torna os números menos atuais. Mesmo assim, o levantamento mostra que os gastos dos consumidores — principal motor da economia dos EUA — cresceram a uma taxa anualizada de 3,5% no terceiro trimestre, acima dos 2,5% registrados no trimestre anterior.
Parte dessa aceleração está ligada à antecipação da compra de veículos elétricos. Muitos consumidores correram às concessionárias antes do fim de créditos fiscais que expiraram em 30 de setembro, benefícios que reduzem o valor pago na compra desses automóveis.
Após esse período, as vendas de veículos caíram em outubro e novembro, enquanto os gastos em outros segmentos da economia apresentaram comportamento irregular.
Os efeitos da paralisação do governo tendem a aparecer com mais força nos dados seguintes. De acordo com estimativas do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), a interrupção das atividades públicas pode reduzir entre 1,0 e 2,0 pontos percentuais do PIB no quarto trimestre.
Embora o órgão avalie que a maior parte dessa perda será compensada ao longo do tempo, entre US$ 7 bilhões e US$ 14 bilhões não devem ser recuperados.
Pesquisas também indicam que o consumo vem sendo sustentado principalmente pelas famílias de renda mais alta, beneficiadas pela valorização do mercado de ações, que aumentou o patrimônio desses grupos.
Já consumidores de renda média e baixa enfrentam maior pressão financeira, em razão do aumento do custo de vida associado às tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump.
Esse descompasso tem levado economistas a classificar o cenário como uma “economia em forma de K” — expressão usada para descrever situações em que diferentes grupos da economia seguem trajetórias opostas, alguns se fortalecendo enquanto outros perdem fôlego.
Confiança do consumidor dos EUA
A confiança do consumidor nos EUA caiu em dezembro, refletindo uma preocupação maior das famílias com emprego e renda. O movimento está em linha com a avaliação de economistas de que os gastos dos consumidores devem perder força após o crescimento observado no terceiro trimestre.
Segundo o Conference Board — entidade que acompanha a percepção dos consumidores sobre a economia — o índice de confiança recuou 3,8 pontos no mês, para 89,1. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava uma leitura de 91,0.
🔎 O índice de confiança do consumidor mede como as famílias avaliam sua situação financeira atual e as perspectivas para os próximos meses. Níveis mais baixos costumam indicar maior cautela nas decisões de consumo, como compras de bens duráveis e contratação de serviços.
De acordo com Dana Peterson, economista-chefe do Conference Board, as respostas abertas dos entrevistados continuaram sendo dominadas por preocupações com preços e inflação, além de temas ligados a tarifas, comércio exterior e política econômica.
"No entanto, em dezembro, houve aumentos nas menções à imigração, guerra e tópicos relacionados a finanças pessoais, incluindo taxas de juros, impostos e renda, bancos e seguros."
Produção manufatureira dos EUA
A produção manufatureira dos EUA ficou estável em novembro, após ter recuado em outubro. O desempenho foi influenciado principalmente pela queda na produção de veículos automotores, que perdeu força depois do encerramento dos créditos fiscais concedidos à compra de veículos elétricos.
De acordo com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), a produção do setor havia caído 0,4% em outubro. Economistas ouvidos pela Reuters já esperavam que a atividade industrial permanecesse praticamente inalterada em novembro. A manufatura responde por cerca de 10,1% da economia norte-americana.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção das fábricas avançou 1,9%. A divulgação desses dados foi adiada em razão da paralisação de 43 dias do governo federal.
O recuo na indústria automobilística foi um dos principais fatores para a estagnação do setor. Em novembro, a produção de veículos caiu 1,0%, após uma retração mais acentuada, de 5,1%, em outubro.
No terceiro trimestre, as vendas haviam crescido porque consumidores anteciparam compras de veículos elétricos antes do fim dos créditos fiscais, em 30 de setembro.
🔎 Créditos fiscais são incentivos concedidos pelo governo, que reduzem impostos a pagar e tornam determinados produtos mais baratos para o consumidor.
Quando se exclui a produção de veículos automotores, a atividade das fábricas teve leve alta de 0,1% em novembro, após queda de 0,1% no mês anterior, indicando estabilidade no restante do setor.
A indústria manufatureira também tem sido impactada pelas tarifas comerciais adotadas pelo presidente Donald Trump. As tarifas — impostos sobre produtos importados — elevam os custos para fábricas que dependem de insumos estrangeiros, ao mesmo tempo em que favorecem setores como o de metais primários, que enfrentavam forte concorrência internacional.
Trump defende as tarifas como uma forma de estimular a reindustrialização dos Estados Unidos, mas, até o momento, os dados não mostram uma recuperação ampla e consistente do setor.
Fora da manufatura, a produção de mineração cresceu 1,7% em novembro, após queda de 0,8% em outubro.
Já a produção industrial total — que inclui manufatura, mineração e serviços públicos — avançou 0,2% no mês, revertendo a retração de 0,1% registrada anteriormente.
Na comparação anual, a produção industrial acumulou alta de 2,5%.
Bolsas globais
Os índices em Wall Street fecharam em alta nesta terça-feira. O Dow Jones Industrial Average avançou 0,16%, aos 48.442,41 pontos, o S&P 500 subiu 0,45%, aos 6.909,78 pontos, e o Nasdaq Composite teve ganho de 0,57%, aos 23.561,84 pontos.
Já os mercados europeus encerraram o dia em alta, com o índice regional atingindo um novo recorde impulsionado pelo setor de saúde.
O destaque foi a forte valorização da Novo Nordisk, que disparou após obter aprovação nos EUA para seu medicamento oral para perda de peso, reforçando sua posição na disputa global por tratamentos contra obesidade.
No fechamento, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,4%, para 588,81 pontos. Em Londres, o Financial Times subiu 0,24%, a 9.889,22 pontos; em Frankfurt, o DAX ganhou 0,22%, a 24.337,08 pontos; enquanto em Paris o CAC 40 recuou 0,21%, a 8.103,85 pontos.
Em Milão, o FTSE/MIB teve alta de 0,03%, a 44.606,58 pontos; em Madri, o Ibex 35 avançou 0,14%, a 17.182,80 pontos; e em Lisboa, o PSI20 caiu 0,27%, para 8.169,20 pontos.
As bolsas asiáticas encerraram o dia com resultados variados. Na China, os índices subiram levemente, apoiados pelo avanço das ações de metais não ferrosos, em meio à disparada do preço do ouro para níveis recordes.
Também houve ganhos no setor de semicondutores, após notícias de que a Nvidia planeja enviar chips mais potentes para clientes chineses antes do Ano Novo Lunar.
Por outro lado, Hong Kong registrou queda, pressionada por perdas em empresas de tecnologia, como a Kuaishou, que sofreu um ataque cibernético.
No fechamento, o índice de Xangai subiu 0,07%, a 3.919 pontos, e o CSI300 avançou 0,20%, a 4.620 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,11%, a 25.774 pontos.
Outros mercados tiveram desempenho positivo: Nikkei, no Japão, ficou estável em 50.412 pontos; Kospi, na Coreia do Sul, ganhou 0,28%, a 4.117 pontos; Taiex, em Taiwan, subiu 0,57%, a 28.310 pontos; e Straits Times, em Cingapura, avançou 0,62%, a 4.638 pontos.
Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025.
Tatan Syuflana/ AP