Dólar tem leve alta com dados de inflação dos EUA e tensões no Fed; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,06% nesta terça-feira (13), cotado a R$ 5,3753. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,72%, aos 161.973 pontos. Sem grandes destaques na agenda do...

13/01/2026 | Economia

 

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em alta de 0,06% nesta terça-feira (13), cotado a R$ 5,3753. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,72%, aos 161.973 pontos.
Sem grandes destaques na agenda doméstica, os mercados direcionam as atenções para o exterior, com foco em novos dados dos Estados Unidos, notícias geopolíticas e eventuais desdobramentos sobre o atrito entre o presidente Donald Trump e o banco central dos EUA. (Veja mais detalhes abaixo)
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▶️ No exterior, o destaque fica com as novas tarifas de 25% anunciadas pelo presidente Donald Trump sobre qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã. A medida, divulgada na véspera, tem efeito imediato e pode afetar o Brasil — em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões (R$ 454,3 milhões) do país.
▶️Além disso, novos dados de inflação nos EUA também ficaram no radar. O índice de preços ao consumidor (CPI) americano subiu 0,3% em dezembro e acumulou alta de 2,7% em 12 meses, repetindo a taxa anual de novembro. Já as vendas de casas unifamiliares recuaram 0,1% em outubro, para 737 mil unidades. Na comparação anual, houve crescimento de 18,7%.
Esses dados mostram o ritmo da economia americana e aumentam a expectativa de que o Fed deve mantenha as taxas de juros inalteradas em sua próxima reunião, prevista para o final deste mês.
▶️ No campo institucional, dirigentes de alguns dos principais bancos centrais do mundo divulgaram uma nota conjunta em apoio ao presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Jerome Powell, após ameaças de acusação criminal por parte do governo Trump.
O documento foi assinado por líderes do Banco Central Europeu, do Banco da Inglaterra e de outras nove instituições, incluindo o Banco Central do Brasil. O presidente do BC brasileiro, Gabriel Galípolo, está entre os signatários.
▶️ Já no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei que cria o Comitê Gestor do IBS, no lançamento oficial da plataforma digital da Reforma Tributária. O evento marca o início da fase de implementação da nova ferramenta que dará sustentação à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
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Acumulado do ano: +0,54%.
Tarifas sobre parceiros comerciais do Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na véspera que vai impor uma tarifa de 25% a países que fizerem negócios com o Irã. Segundo o republicano, a medida passa a valer imediatamente.
"Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre quaisquer e todas as transações realizadas com os Estados Unidos. Esta ordem é final e conclusiva. Agradeço a atenção a este assunto", escreveu Trump na Truth Social.
O Brasil pode ser impactado pela decisão devido à relação comercial com o Irã. Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do país, principalmente ureia, pistache e uvas secas. Já as exportações somaram US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar.
🔎 Com os números, o Irã não figura entre os 20 principais parceiros comerciais do Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No entanto, é um dos principais destinos brasileiros no Oriente Médio.
Em sua publicação, Trump não especificou se a medida afetaria países que já negociam com o Irã ou apenas futuras transações.
O que muda para o Brasil com a possível tarifa de Trump sobre comércio com o Irã?
Trump x Powell
O governo Trump também intensificou a pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ao mencionar a possibilidade de indiciar criminalmente o presidente da instituição.
👉 A ameaça está relacionada a declarações feitas por Powell ao Congresso sobre os custos de um projeto de reforma de um prédio do Fed.
👉 Segundo o dirigente, o episódio está sendo usado como pretexto para ampliar a influência do governo sobre a política monetária, em especial para forçar cortes mais agressivos nos juros.
As movimentações elevaram as preocupações do mercado quanto à independência do banco central. Nesta terça-feira, dirigentes de alguns dos principais bancos centrais do mundo divulgaram uma nota conjunta em apoio ao presidente do Fed.
“Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell”, afirmaram os presidentes do Banco Central Europeu, do Banco da Inglaterra e de outras nove instituições, incluindo o Banco Central do Brasil. O presidente do BC brasileiro, Gabriel Galípolo, é um dos signatários.
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O grupo reiterou que a independência dos bancos centrais é um elemento fundamental para garantir a estabilidade econômica, financeira e de preços em benefício da população, destacando que Powell "tem exercido sua função com integridade, foco em seu mandato e compromisso inabalável com o interesse público."
"Para nós, ele é um colega respeitado e amplamente reconhecido por todos que trabalharam com ele", afirma o comunicado.
Agenda econômica
Preços ao consumidor dos EUA
Os preços ao consumidor nos EUA voltaram a subir em dezembro, após efeitos pontuais que haviam reduzido artificialmente a inflação no mês anterior.
Segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho, ligado ao Departamento do Trabalho dos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,3% no mês passado. Em 12 meses até dezembro, a alta foi de 2,7%, repetindo a variação registrada em novembro.
O resultado confirmou a expectativa de economistas consultados pela Reuters, que já projetavam um aumento mensal de 0,3%.
Entre setembro e novembro, o próprio Escritório de Estatísticas estimou uma variação de 0,2%. Parte da distorção observada nos dados de novembro está relacionada à paralisação de 43 dias do governo federal, que impediu a coleta regular de preços em outubro.
Ao excluir os preços mais voláteis de alimentos e energia, o índice — conhecido como núcleo da inflação — registrou alta de 0,2% em dezembro. Na comparação anual, o núcleo do CPI avançou 2,6%, mesma taxa observada em novembro.
Venda de casas nos EUA
As vendas de casas unifamiliares novas nos EUA recuaram levemente em outubro, depois de dois meses seguidos de alta.
De acordo com o Departamento de Comércio dos EUA, as vendas de casas novas caíram 0,1% em outubro, para uma taxa anualizada e ajustada sazonalmente de 737 mil unidades.
Esse tipo de taxa projeta, para um ano inteiro, o ritmo de vendas observado no mês, descontando efeitos sazonais. Em setembro, as vendas haviam alcançado 738 mil unidades, após 711 mil em agosto. A divulgação dos dados ocorreu com atraso devido à paralisação do governo federal, que durou 43 dias.
As vendas de casas novas representam apenas uma parcela do mercado imobiliário americano e costumam variar bastante de um mês para outro. Diferentemente das casas usadas, elas são contabilizadas no momento da assinatura do contrato, e não na entrega do imóvel.
Na comparação com outubro do ano anterior, as vendas de casas novas cresceram 18,7%. Esse avanço ocorre em um contexto de queda das taxas de juros dos financiamentos imobiliários em 2025.
Bolsas globais
Nos EUA, os principais índices de Wall Street inverteram o sinal positivo visto pela manhã e passaram a operar em baixa, após o banco JP Morgan alertar que o teto para taxas de cartão de crédito prejudicam o setor financeiro.
Perto das 15h, o Dow Jones Industrial Average tinha queda de 0,71%, para 49.238,10 pontos. O S&P 500 caía 0,23%, a 6.960,81 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuava 0,16%, para 23.696,83 pontos.
Do outro lado do Atlântico, as bolsas europeias fecharam mistas nesta terça-feira, conforme investidores avaliavam uma série de resultados corporativos e novos dados de inflação. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,1%, recuando da máxima histórica atingida no início da sessão.
Entre os demais índices, o FTSE 100, do Reino Unido, caiu 0,03%, enquanto o CAC-40, da França, recuou 0,14% e o DAX, da Alemanha, subiu 0,06%.
Na Ásia, as ações de Hong Kong atingiram a máxima em dois meses nesta terça-feira, com alta de 0,9% no índice Hang Seng. Na China, no entanto, as bolsas fecharam em queda.
O sentimento foi moderado pela expectativa de que o ritmo recorde de exportações da China, impulsionado pela diversificação dos destinos de embarque, tenha desacelerado no último mês de 2025, e a perspectiva para o próximo ano depende da capacidade dos fabricantes de se expandirem ainda mais para novos mercados.
Dólar opera em alta nesta quarta-feira
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