Dólar cai e fecha em R$ 5,27, à espera da Superquarta e com tensões geopolíticas no radar; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar emplacou a 4ª queda consecutiva nesta segunda-feira (26). A moeda fechou com um recuo de 0,13%, cotada em R$ 5,2798, renovando o menor patamar em dois meses. O Ibovespa, principal índice ...

26/01/2026 | Economia

 

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar emplacou a 4ª queda consecutiva nesta segunda-feira (26). A moeda fechou com um recuo de 0,13%, cotada em R$ 5,2798, renovando o menor patamar em dois meses. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, interrompeu uma sequência de cinco ganhos consecutivos e encerrou a sessão com perdas de 0,08%, aos 178.721 pontos.
▶️ Na economia, o destaque da semana é a Superquarta, com decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil. A expectativa é de manutenção das taxas tanto nos EUA (faixa de 3,50% a 3,75%) quanto no Brasil (15% ao ano).
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▶️ Já na geopolítica, o mercado monitora ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de empregar ação militar contra países que não cooperarem em sua ofensiva contra rivais como Rússia e China.
🔎 A Nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA foi publicada pelo Departamento de Guerra na sexta-feira. O objetivo é assegurar aos EUA plena dominância militar e comercial “do Ártico à América do Sul”.
▶️ O presidente dos EUA, Donald Trump, também voltou a ameaçar impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um acordo comercial com a China.
🔎 O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o país não busca fechar esse tipo de acordo, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da China declarou que os acordos comerciais e econômicos com o Canadá não têm como alvo nenhum terceiro país. (Saiba mais abaixo)
▶️ Ainda nos EUA, cresce a expectativa em torno da escolha do novo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Rumores de mercado indicam que Trump pode anunciar o nome do sucessor do atual presidente da instituição, Jerome Powell, ainda nesta semana.
🔎 Investidores têm receios sobre a indicação de Trump porque há desconfiança sobre o quanto o novo nome se deixará influenciar pela pressão do republicano por uma queda de juros, o que pode colocar em risco a autonomia do banco central.
▶️ Por fim, a possibilidade de uma nova paralisação (shutdown) do governo americano também gera tensão no mercado, em meio à resistência de democratas em votar o Orçamento. Eles exigem mudanças na área de segurança, após o assassinato de Alex Pretti por agentes federais.
▶️ No Brasil, a nova edição do Boletim Focus mostra que economistas reduziram a projeção da inflação para 2026 de 4,02% para 4%. A expectativa é para a Selic é de queda para 12,25% ao final do ano. Para o PIB, a estimativa é de alta de 1,8%. Já o dólar deve fechar 2026 em R$ 5,51.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -0,13%;
Acumulado do mês: -3,81%;
Acumulado do ano: -3,81%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +8,53%;
Acumulado do mês: +11,01%;
Acumulado do ano: +11,01%.
Tensões geopolíticas
Acordo entre China e Canadá
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou no sábado (24) aplicar tarifas de 100% sobre produtos importados do Canadá caso o país feche um acordo comercial com a China. Na semana passada, os dois países haviam anunciado uma nova parceria estratégica, durante a visita do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, a Pequim.
Foi a primeira viagem de um líder canadense à China em oito anos. O acordo prevê que a China reduza tarifas sobre a canola canadense e que o Canadá permita a entrada de quase 50 mil carros elétricos chineses com tarifa de 6,1%, bem abaixo dos 100% atualmente aplicados.
Carney está tentando reconstruir os laços com o segundo maior parceiro comercial de seu país, depois dos EUA, após meses de esforços diplomáticos.
Em resposta, o presidente americano, Donald Trump afirmou que se o Canadá fechar um acordo com a China, estará "imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos".
"[Se Carney] pensa que vai transformar o Canadá em um 'porto de descarga' para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado", escreveu o republicano em seu perfil no Truth Social.
Nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os acordos comerciais e econômicos com o Canadá não têm como alvo nenhum terceiro país, em resposta à ameaça tarifária dos EUA.
“A China entende que os países devem conduzir suas relações uns com os outros com uma mentalidade de ganha-ganha, em vez de soma zero, e por meio da cooperação, e não do confronto”, disse o porta-voz do ministério, Guo Jiakun, durante uma coletiva de imprensa regular.
Ameaças com força militar
Outro ponto de atenção nos mercados nesta segunda-feira foi a nova ameaça de Trump aos países do Hemisfério Ocidental que não cooperarem ou ainda obstruíram seus objetivos de combate ao narcotráfico. A medida faz parte da nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA.
No documento, ao mesmo tempo em que fala em cooperação na base da "boa-fé" com os vizinhos, o governo Trump deixou a porta aberta para ações militares onde e quando julgar que seus interesses não estão sendo atendidos.
O republicano ainda utilizou a operação militar em Caracas, que prendeu o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, como exemplo de ações que o Exército americano pode empregar no futuro.
"Garantiremos, de forma ativa e destemida os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental", diz o documento.
Lula, Trump e a Venezuela
Ainda nessa toada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou com o presidente Trump por telefone nesta segunda-feira. Os dois trataram sobre a situação na Venezuela e combinaram uma visita do petista a Washington nos próximos meses.
"O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano", informou a nota divulgada pelo governo brasileiro à imprensa.
Essa foi a primeira conversa entre Lula e Trump desde que os Estados Unidos invadiram a Venezuela e retiraram do poder o dirigente Nicolás Maduro, no início deste mês.
Lula, no entanto, já deu declarações públicas condenando a ação militar no país vizinho. Na última sexta-feira (23), o petista chamou o episódio de "falta de respeito" e disse que a América Latina não vai abaixar a cabeça para ninguém.
Ele também afirmou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e disse que a Carta das Nações Unidas (ONU) está sendo “rasgada”, com a prevalência da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais.
A expectativa é que Lula aproveite a instabilidade no cenário internacional para reiterar o pedido de reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, um pleito do petista desde o primeiro mandato, em 2002.
Agenda econômica
Boletim Focus
Os economistas do mercado financeiro reduziram a projeção da inflação para 2026, de 4,02% para 4%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central. O levantamento foi feito na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
Se confirmada, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado em 2025, quando fechou em 4,26%. Para os anos seguintes, as expectativas permanecem estáveis: 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028 e 2029.
O mercado financeiro também projeta que a Selic, taxa básica de juros, continuará em trajetória de queda. Após fechar 2025 em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, a estimativa é de redução para 12,25% ao final de 2026, e para 10,50% em 2027.
Para o crescimento da economia, a previsão do PIB em 2026 se mantém em 1,8%, abaixo dos 2,25% projetados para 2025. Já a cotação do dólar deve encerrar o ano em R$ 5,51, de acordo com o mesmo levantamento.
Bolsas globais
Nos EUA, os três principais índices de Wall Street encerraram em alta nesta segunda-feira (26), conforme investidores aguardavam resultados corporativos de grandes empresas e em meio à expectativa pela decisão de juros do banco central americano prevista para os próximos dias.
O Dow Jones avançou 0,64%, enquanto o S&P 500 ganhou 0,50% e o Nasdaq subiu 0,43%.
O setor de mineração teve destaque na sessão, impulsionado pela disparada do ouro. Entre os destaques, os papéis da Gold Fields e da Harmony Gold subiram mais de 1%.
Na Europa, a maioria dos mercados fechou em alta, impulsionadas por ganhos no setor financeiro conforme investidores aguardam a divulgação de resultados corporativos grandes bancos nesta semana.
O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,2%, no maior nível em mais de uma semana. Entre as bolsas locais, o FTSE 100, do Reino Unido, subiu 0,05%, enquanto o DAX, da Alemanha, encerrou com um avanço de 0,13%. Na contramão, o CAC40, da França, caiu 0,15%.
Na Ásia, as bolsas fecharam praticamente estáveis, resultado do equilíbrio entre ganhos em setores de metais e finanças e perdas nas empresas de tecnologia.
No encerramento do pregão, os índices mostraram movimentos leves. Em Xangai, o SSEC caiu 0,09%, enquanto o CSI300 subiu 0,10%. O Hang Seng, em Hong Kong, avançou 0,06%.
Em outras regiões, o Nikkei recuou 1,8% em Tóquio; o KOSPI caiu 0,81% em Seul; o TAIEX subiu 0,32% em Taiwan; e o Straits Times, em Cingapura, teve queda de 0,62%.
*Com informações da agência de notícias Reuters
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