Dólar cai e fecha a R$ 5,12, menor valor em quase 2 anos; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar caiu 0,60% nesta quarta-feira (25) e fechou cotado a R$ 5,1246, no menor valor desde 21 de maio de 2024. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,13%, aos 191.247 pontos...

25/02/2026 | Economia

 

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar caiu 0,60% nesta quarta-feira (25) e fechou cotado a R$ 5,1246, no menor valor desde 21 de maio de 2024. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,13%, aos 191.247 pontos.
Os investidores reagiram a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao cenário político no Brasil. A bolsa caiu pressionada pelas ações de grandes bancos, como o Itaú (0,79%), apesar da alta de 2,55% da Vale.
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▶️ Nos EUA, Trump evitou mencionar a China em seu discurso sobre o Estado da União na noite de ontem, às vésperas de uma viagem a Pequim. No entanto, ameaçou o Irã e citou a operação que levou à prisão do venezuelano Nicolás Maduro. Trump também tratou de temas como inflação, tarifas comerciais e o desempenho do mercado de ações.
O discurso de Trump no Congresso ocorreu em meio à queda na aprovação do presidente. Aliados temem que os índices influenciem as eleições de meio de mandato.
▶️ Na agenda americana, os investidores aguardam o balanço da Nvidia, que será divulgado após o fechamento do mercado, em meio às incertezas sobre o setor de inteligência artificial. Também estão previstos discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
▶️ No Brasil, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões. Também será divulgado o fluxo cambial semanal.
▶️ No campo político, uma pesquisa da AtlasIntel mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, com 46,2% e 46,3%, respectivamente, em meio à repercussão negativa do desfile da Acadêmicos de Niterói.
🔎 O resultado é visto por parte dos investidores como um sinal de possível alternância de poder em 2026. Na avaliação de agentes do mercado financeiro, uma mudança de governo poderia abrir espaço para uma política mais rigorosa de controle dos gastos públicos.
▶️ Nos negócios, o destaque ficou para as ações do Grupo Pão de Açúcar, que chegaram a cair quase 9% após a varejista apontar, em balanço, incertezas sobre sua continuidade operacional. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre, acima das estimativas do mercado. Após uma recuperação parcial, os papéis encerraram o dia com queda superior a 2%.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -0,99%;
Acumulado do mês: -2,34%;
Acumulado do ano: -6,63%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,32%;
Acumulado do mês: +5,39%;
Acumulado do ano: +18,63%.
Discurso de Trump no Congresso
O presidente dos EUA, Donald Trump, fez na terça-feira (24) o tradicional discurso do Estado da União, em tom combativo e com duração de cerca de 1 hora e 48 minutos — o mais longo já registrado nesse formato.
Ele enviou recados ao Irã, defendeu a influência americana no hemisfério ocidental e discutiu com parlamentares democratas sobre imigração.
A política externa teve destaque. Trump acusou o Irã de tentar desenvolver uma arma nuclear e afirmou que prefere uma solução diplomática, mas que não permitirá que o país obtenha esse tipo de armamento.
Ele também citou a operação que levou à captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, classificando a ação como uma vitória para a segurança dos EUA e como um novo começo para os venezuelanos.
Grande parte da fala foi dedicada à economia. O presidente exaltou os resultados de seu governo, disse que a inflação está em queda, que a renda das famílias cresce e que a economia se recupera.
Especialistas, no entanto, contestam a leitura oficial desses indicadores. Trump também afirmou que a produção de energia atingiu níveis recordes e criticou a gestão anterior, afirmando que assumiu o país em crise.
O presidente também atacou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas a outros países, incluindo o Brasil, com base em uma lei de emergência da década de 1970.
Ele classificou a decisão como frustrante e anunciou uma nova tarifa global de 15% sobre produtos importados. Segundo Trump, a medida poderia substituir parte do sistema de imposto de renda e reduzir a carga tributária dos americanos, além de ajudar a evitar conflitos internacionais.
A economia foi um dos principais focos do discurso, em meio à preocupação dos eleitores com o custo de vida. Uma pesquisa da Associated Press mostrou que 39% dos entrevistados aprovam a condução da política econômica do presidente.
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Agenda econômica
Contas públicas do Brasil
As contas do governo registraram um superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira (25). O resultado ficou acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões.
Na comparação com janeiro do ano passado, houve uma leve piora: em 2024, o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
O resultado foi favorecido pela arrecadação federal, que atingiu o maior nível para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. A alta da receita está relacionada ao crescimento da economia e ao aumento de impostos.
Para 2026, a meta é que as contas do governo tenham um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões. Pelo arcabouço fiscal aprovado em 2023, há uma faixa de tolerância de 0,25 ponto percentual em torno da meta central.
Isso significa que a meta será considerada cumprida mesmo se o resultado for zero ou se o superávit chegar a R$ 68,6 bilhões. O arcabouço também permite que o governo exclua até R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo, como gastos com precatórios, por exemplo.
Na prática, a previsão é que o governo registre um déficit de R$ 23,3 bilhões em 2026, mesmo que, no cálculo oficial da meta, apareça um resultado positivo.
Se esse cenário se confirmar, as contas públicas devem permanecer no vermelho ao longo de todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mercados globais
Os mercados em Wall Street encerraram em alta, enquanto investidores seguiram avaliando os riscos envolvendo as grandes empresas de tecnologia e seus investimentos bilionários em inteligência artificial.
Além disso, a expectativa pelos resultados da Nvidia — considerados um termômetro para o setor — e as dúvidas sobre novas tarifas comerciais continuaram a gerar incertezas.
O Dow Jones subiu 0,63%, aos 49.482,27 pontos. O S&P 500 avançou 0,81%, aos 6.946,14 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 1,26%, aos 23.152,08 pontos.
Na Europa, o clima foi mais positivo, impulsionado pela recuperação das ações de tecnologia em várias bolsas globais.
Esse movimento ajudou a melhorar o humor dos investidores, que deixaram em segundo plano, ao menos por enquanto, as preocupações com possíveis tarifas dos EUA.
No fechamento, o índice STOXX 600 subiu 0,7%, aos 633,47 pontos. O FTSE 100, do Reino Unido, avançou 1,18%, aos 10.806,41 pontos.
Na França, o CAC 40 subiu 0,47%, aos 8.559,07 pontos, e na Alemanha, o DAX avançou 0,76%, aos 25.175,94 pontos.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, com destaque para China e Hong Kong.
O interesse dos investidores por empresas ligadas a metais e minerais raros cresceu após notícias de que o governo Trump pretende usar um sistema de inteligência artificial do Pentágono para definir preços de referência desses insumos estratégicos.
O índice CSI300, da China, subiu 1,2%, e o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,8%. No Japão, o Nikkei disparou 2,2%, chegando a 58.583 pontos.
Na Coreia do Sul, o KOSPI subiu 1,91%, aos 6.083 pontos, e, em Taiwan, o TAIEX avançou 2,05%, para 35.413 pontos.
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Karolina Grabowska/Pexels