Ibovespa fecha em queda após eleições e à espera do Fed; dólar recua a R$ 5,35

Bolsa cai e dólar sobe após vitória de Lula; economista explica reação do mercado O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, oscilou ao longo desta terça-feira (27) e fechou em queda de 0,51%, aos 175.705 pontos. Já o dólar recuou 0,97%,...

27/10/2026 | Economia

 

Bolsa cai e dólar sobe após vitória de Lula; economista explica reação do mercado
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, oscilou ao longo desta terça-feira (27) e fechou em queda de 0,51%, aos 175.705 pontos. Já o dólar recuou 0,97%, cotado a R$ 5,3502. Durante o pregão, a moeda chegou à mínima de R$ 5,3080.
Na véspera, a moeda americana registrou a maior alta diária desde 1999, com avanço de 8,21%, fechando a R$ 5,4027. Já o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, sua maior queda desde março de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Veja as maiores quedas desta segunda.
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O resultado das eleições presidenciais no Brasil continuou influenciando os mercados nesta terça-feira, enquanto investidores e empresários cobraram do governo novos sinais de ajuste fiscal.
No exterior, o foco esteve na decisão sobre os juros nos Estados Unidos, prevista para esta quarta-feira (28). As eleições em Israel e os preços do petróleo também ficaram no radar.
▶️ A reeleição de Lula (PT) levou investidores a rever suas expectativas para os juros, o dólar, a bolsa e as contas públicas. Em meio às preocupações com a dívida pública, investidores e empresários cobram medidas mais fortes de ajuste fiscal.
O temor é que as condições financeiras piorem, com crédito mais caro e a possibilidade de uma nova alta da Selic, caso a valorização do dólar pressione a inflação.
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▶️ No exterior, as atenções seguiram voltadas para a próxima decisão sobre os juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), prevista para esta quarta-feira (28). Segundo dados do CME Group, a maioria dos investidores espera que a instituição mantenha as taxas inalteradas. O mercado também acompanha possíveis novas declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh.
▶️ No Oriente Médio, as eleições em Israel estiveram no centro das atenções. É a primeira vez que o país vai às urnas desde a guerra em Gaza. A disputa pode definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que tenta se manter no poder e dar continuidade à sua política militar. Saiba mais.
▶️ No mercado de commodities, os preços do petróleo continuaram elevados, em meio às preocupações com novos ataques dos houthis ao território da Arábia Saudita. No final do dia, o barril do Brent, referência internacional, caiu 1,38%, cotado a US$ 113,81. Já o WTI, referência nos EUA, recuou 1,62%, a US$ 100,11 por barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +7,15%;
Acumulado do mês: +3,40%;
Acumulado do ano: -2,52%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -14,33%
Acumulado do mês: -5,71%;
Acumulado do ano: +9,05%.
Vitória de Lula muda projeções do mercado
A reeleição do presidente Lula (PT) para um quarto mandato pressiona os preços dos ativos brasileiros no mercado financeiro. Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), com quase 100% das urnas apuradas.
Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno, a reeleição de Lula surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre os juros, o dólar, a bolsa e as contas públicas.
"O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos", disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Apesar da reação negativa, especialistas avaliam que o governo ainda pode adotar medidas para recuperar a confiança dos investidores.
"Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal", afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.
Risco de disputa na Justiça
Alguns analistas avaliam que o resultado eleitoral não será o único fator a provocar oscilações nos mercados financeiros.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, devido a problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, também pode gerar questionamentos na Justiça.
Em pronunciamento após a derrota, Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado da eleição e afirmou que pedirá a anulação do pleito.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters.
Bolsas globais
Em Wall Street, os principais índices acionários fecharam em alta nesta terça-feira, em meio à expectativa pela decisão de juros do Fed e conforme investidores avaliavam uma série de resultados corporativos importantes.
O Dow Jones subiu 0,05%, enquanto o S&P 500 avançou 0,60% e o Nasdaq Composite teve ganhos de 1,18%.
Na Europa, a maioria das bolsas fechou em alta, em meio à queda nos preços do petróleo. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,49%. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, subiu 0,71%, enquanto o CAC-40, da França, avançou 0,51%. O FTSE 100, do Reino Unido, foi na contramão do mercado e caiu 0,75%.
Na Ásia, as ações chinesas perderam os ganhos registrados no início do pregão e fecharam na menor cotação em 14 meses, acompanhando a queda dos papéis do setor de tecnologia.
O SSEC, Índice de Xangai, e o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, recuaram 1,3% na sessão. No Japão, o Nikkei subiu 1,73% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,09%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 0,73%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
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