99Food volta a SP com R$ 500 milhões em investimentos para rivalizar com iFood

Delivery próprio ou por aplicativo? Veja qual vale mais a pena O serviço de delivery 99Food anunciou seu retorno à cidade de São Paulo nesta terça-feira (12). A empresa prevê um investimento de R$ 500 milhões na capital paulista e na região met...

12/08/2025 | Economia

 

Delivery próprio ou por aplicativo? Veja qual vale mais a pena
O serviço de delivery 99Food anunciou seu retorno à cidade de São Paulo nesta terça-feira (12). A empresa prevê um investimento de R$ 500 milhões na capital paulista e na região metropolitana para formatar a nova operação.
Para isso, o app já reúne 20 mil restaurantes na plataforma e tem 50 mil entregadores cadastrados. Segundo Simeng Wang, diretor-geral da 99, a meta é abrir o mercado de delivery, sem ter ainda uma definição sobre o tamanho da fatia que buscam conquistar.
A empresa já trabalhou com entregas de refeição no Brasil por quatro anos, até o início de 2023. Assim como outros competidores, contudo, o app não resistiu ao domínio de mercado do iFood. (veja mais abaixo)
Neste retorno ao Brasil, anunciado em abril, a plataforma espera investir R$ 1 bilhão para retomar a disputa. A reestreia aconteceu em junho, em Goiânia. Por lá, 1 milhão de entregas foram realizadas em 45 dias de operação.
“Ficou claro que todo mundo pede uma nova opção [de apps de entrega]. Restaurantes sentem a dor da comissão alta, fazendo o lucro ser baixo. E os consumidores se queixam dos preços repassados [...]. O mercado vai crescer, essa é a nossa maior aposta”, diz Wang.
Como aposta para deslanchar, o 99Food criou um modelo que vai isentar temporariamente as taxas de comissão de restaurantes, contribuindo para que os preços no app sejam os mesmos do salão do restaurante.
Serão 12 meses de isenção da comissão cobrada em cima do valor do pedido e de mensalidade.
Para o consumidor, o app oferece:
Comida pelo preço do cardápio;
Descontos exclusivos no primeiro pedido;
Entrega grátis nos primeiros pedidos;
Para novos usuários, 5 cupons que somam R$ 99 em descontos.
Para entregadores, serão:
R$ 400 por dia para quem fizer 15 entregas diárias de comida no primeiro mês de funcionamento em São Paulo;
R$ 250 por dia para quem completar 20 entregas, sendo pelo menos cinco de comida, como parte da nova política de remuneração, sem prazo de vigência.
“Esse ‘custo zerado’ que os restaurantes repassam se transforma na outra ponta em economia, diminuindo o preço e trazendo mais consumidores”, reforça Bruno Rossini, diretor sênior de Comunicação da 99.
Aplicativo da 99 lança serviço de moto por aplicativo na capital paulista.
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/Estadão Conteúdo
Chineses na disputa pelo delivery
Simeng Wang diz que a empresa analisou bem o mercado de delivery antes de retornar ao mercado. A empresa contratou uma pesquisa inédita do Instituto Locomotiva e Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), para fundamentar a tese.
A Abrasel estima que cerca de 70 milhões de brasileiros tenham em seus celulares algum aplicativo de entrega de refeições. Além disso:
63% já deixaram de pedir delivery por causa do preço;
94% dos consumidores e 81% dos restaurantes acreditam que, sem as taxas dos aplicativos, os restaurantes poderiam oferecer pratos mais baratos no delivery;
85% dos restaurantes investiriam o valor economizado em melhorias no estabelecimento e 82% em contratação de funcionários;
92% dos consumidores passariam a pedir mais se houvesse um aplicativo sem cobrança de taxas para os restaurantes.
O grupo controlador da 99Foods, a Didi Chuxing, não é a única empresa chinesa interessada em abocanhar uma fatia relevante do mercado de entrega de comida no Brasil.
Recentemente, a Meituan, uma das maiores companhias desse segmento no mundo, anunciou que investirá US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) por aqui nos próximos cinco anos. O objetivo é lançar a sua marca, a Keeta, com previsão inicial de estreia ainda no segundo semestre deste ano.
Na China, o aplicativo conta com 770 milhões de usuários ativos e também realiza entregas por drones. A empresa é listada na Bolsa de Hong Kong, registrando uma receita de US$ 46 bilhões em 2024.
Para manter seu domínio no mercado, o iFood, que opera no Brasil desde 2011, anunciou recentemente que investirá R$ 17 bilhões no Brasil até março de 2026 — é o terceiro ano consecutivo em que o valor supera R$ 10 bilhões.
Até 2028, as metas do iFood incluem:
Elevar a base de usuários ativos de 55 milhões para 80 milhões;
Aumentar o volume mensal de pedidos de 120 milhões para 200 milhões;
Ampliar a equipe com 1.100 novos colaboradores diretos, ultrapassando 8.600 funcionários.
A Rappi também anunciou investimentos, embora mais modestos. Nos próximos três anos, aplicará R$ 1,4 bilhão com a meta de ampliar a base de restaurantes cadastrados de 30 mil para 100 mil e expandir a operação de 50 para 300 cidades.
Competição acirrada
Retornando ao mercado de delivery, a própria 99 integra a lista de aplicativos que já tentaram atuar no segmento, mas acabaram desistindo no passado.
▶️ A Glovo foi a primeira a anunciar, em 2019, que deixaria de operar no país após apenas 12 meses, devido à “forte concorrência”.
Na ocasião, o aplicativo espanhol declarou que, para permanecer no país, seriam necessários mais investimentos e tempo para “ganhar participação, liderar e alcançar rentabilidade”.
▶️ Três anos depois, em 2022, foi a vez do Uber Eats deixar o Brasil, embora não tenha encerrado totalmente os serviços de entrega.
A plataforma informou que passaria a focar apenas em itens de supermercado e envio de pacotes.
▶️ Em 2023, a própria 99Food encerrou suas operações após quatro anos de atividade.
A empresa declarou que concentraria seus recursos no desenvolvimento de serviços sobre duas rodas, “com a expansão do 99Moto e do 99Entrega Moto em delivery”.