Cosan pode vender participação na Raízen e holding deve ser dissolvida, diz CEO
Dívida de R$ 65,1 bilhões leva Raízen à recuperação extrajudicial A Cosan pode vender sua participação na Raízen, atualmente em recuperação extrajudicial, após a reestruturação financeira da empresa. A própria holding também deve ser dissolvida...
15/05/2026 | Economia

Dívida de R$ 65,1 bilhões leva Raízen à recuperação extrajudicial
A Cosan pode vender sua participação na Raízen, atualmente em recuperação extrajudicial, após a reestruturação financeira da empresa. A própria holding também deve ser dissolvida nos próximos anos, afirmou nesta sexta-feira (15) o CEO da companhia, Marcelo Martins.
Segundo o executivo, a fatia da Cosan na Raízen deve encolher de forma significativa porque a empresa não participará de um novo aporte de capital liderado pela Shell, sua sócia no negócio.
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Além disso, credores negociam converter parte das dívidas da Raízen em ações da companhia.
Criada em 2011 como uma parceria entre Cosan e Shell, a Raízen atua nos setores de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, sendo responsável pela operação da marca Shell no Brasil, Argentina e Paraguai.
Com a reestruturação, a Cosan deve se tornar acionista minoritária da Raízen e avalia vender sua participação futuramente para gerar caixa e reduzir o endividamento do grupo.
A Raízen tenta reestruturar uma dívida de cerca de R$ 65 bilhões para evitar uma recuperação judicial.
"A nossa participação na Raízen não deve ser expressiva”, afirmou Martins durante conferência com investidores.
O CEO disse ainda que a Cosan poderá vender essa participação no futuro, embora ainda não exista definição sobre prazo ou tamanho da operação.
Dissolução da holding
Logo da Raízen
Divulgação
Martins afirmou que a Cosan também deve deixar de existir como holding em um prazo de três a cinco anos, em um processo que pode começar já em 2027.
Segundo ele, a estratégia faz parte do plano de redução do endividamento da empresa. Nesse modelo, os atuais acionistas da Cosan passariam a ter participação direta nas empresas do grupo, como Rumo e Compass. “O primeiro passo é a redução da dívida”, disse o executivo.
A dívida líquida expandida da Cosan encerrou o primeiro trimestre em R$ 11,5 bilhões, queda de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.
A Raízen, empresa que opera os postos Shell no Brasil e atua nos setores de açúcar, etanol e energia, enfrenta uma forte crise financeira e tenta reorganizar dívidas que somam cerca de R$ 65 bilhões.
A companhia entrou em recuperação extrajudicial em março para renegociar parte desses débitos diretamente com credores e evitar um cenário mais grave, como uma recuperação judicial.
Além dos postos de combustíveis, a Raízen também atua na aviação, lojas Shell Select, aplicativo Shell Box e projetos de energia renovável.
Nos últimos anos, a companhia ampliou investimentos, mas passou a sofrer com juros altos, clima desfavorável nas safras de cana e piora nos resultados financeiros.
*Com informações da agência Reuters