Dólar cai e fecha em R$ 5,54, de olho no IOF e em dados dos EUA; Ibovespa sobe
Alckmin faz hoje novas reuniões sobre o tarifaço de Donald Trump O dólar fechou a sessão desta quinta-feira (17) em queda de 0,26%, cotado a R$ 5,5467. O Ibovespa, principal índice da bolsa, encerrou com um avanço de 0,04%, aos 135.565 pontos. ...
17/07/2025 | Economia

Alckmin faz hoje novas reuniões sobre o tarifaço de Donald Trump
O dólar fechou a sessão desta quinta-feira (17) em queda de 0,26%, cotado a R$ 5,5467. O Ibovespa, principal índice da bolsa, encerrou com um avanço de 0,04%, aos 135.565 pontos.
Investidores passaram o dia atentos a indicadores dos EUA, como as vendas no varejo de junho e os pedidos semanais de seguro-desemprego. As demais pautas foram predominantemente políticas, com destaque para a resposta da Casa Branca ao presidente Lula e aos desdobramentos do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
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▶️ No Brasil, um dos destaques ficou com a nova rodada da pesquisa Quaest, agora sobre a disputa presidencial de 2026. Segundo o levantamento, o presidente Lula (PT) lidera em todos os cenários simulados de primeiro turno.
Além disso, Lula ampliou a vantagem sobre todos os adversários em um eventual segundo turno, com exceção do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A pesquisa simulou quatro cenários de primeiro turno e oito de segundo turno.
"As simulações de segundo turno mostram os efeitos negativos da associação de Bolsonaro ao tarifaço de Trump contra o Brasil. Na pesquisa anterior, ele e Lula estavam numericamente empatados, com 41% cada. Agora, Lula abriu 6 pontos de vantagem", diz Felipe Nunes, diretor da Quaest.
▶️ Também por aqui, o presidente Lula vetou integralmente o projeto de lei que aumentava de 513 para 531 o número de deputados federais. A proposta gerou forte repercussão negativa devido ao aumento de gastos e foi alvo de críticas por parte da opinião pública.
▶️ Outro destaque foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que restabeleceu quase integralmente o decreto que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O ministro retomou as novas cobranças, exceto o trecho que previa a incidência de IOF sobre operações do tipo “risco sacado”, uma modalidade de antecipação de recebíveis utilizada por pequenas empresas para obtenção de capital de giro. Veja aqui o que está valendo.
▶️ Investidores também continuaram a acompanhar os desdobramentos do tarifaço anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Ontem, ele confirmou o caráter político da tarifa de 50% imposta ao Brasil, fazendo nova menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"[Taxamos] 50% em um caso, o Brasil, porque o que estão fazendo com o ex-presidente é uma desgraça", disse o republicano em entrevista a jornalistas na Casa Branca.
Já nesta quinta-feira (17), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, rebateu a carta enviada pelo governo Lula nesta semana, afirmando que Trump "não está tentando ser o imperador do mundo".
Por aqui, o vice-presidente Geraldo Alckmin mantém agenda com empresários para alinhar a resposta do Brasil aos EUA. (veja no vídeo acima)
Veja abaixo como esses fatores impactam o mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,02%;
Acumulado do mês: +2,08%;
Acumulado do ano: -10,24%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -0,58%;
Acumulado da semana: -0,46%;
Acumulado do mês: -2,37%;
Acumulado do ano: +12,70%.
Dados fortes nos Estados Unidos
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram para 221 mil na semana encerrada em 12 de julho, abaixo da estimativa de 235 mil, indicando que o mercado de trabalho nos EUA continua resiliente.
Apesar da redução nas solicitações iniciais, o número de pessoas que continuam recebendo o benefício subiu levemente, para 1,956 milhão. Isso mostra que os demitidos estão levando mais tempo para se recolocar, enquanto as contratações seguem moderadas, por conta da cautela das empresas diante da incerteza econômica e do cenário tarifário.
O setor automotivo pode ter influenciado os dados devido a paralisações sazonais para manutenção e ajustes de produção. Paralelamente, o impacto das tarifas contra México, Japão, Canadá, Brasil e União Europeia também pesa nas decisões de contratação.
No varejo, as vendas cresceram 0,6% em junho, superando as expectativas. Mas analistas entendem que parte desse avanço se deve à alta de preços, e não ao aumento no volume de vendas. Produtos sensíveis a tarifas, como móveis e eletrodomésticos, apresentaram forte elevação de preços.
As vendas no varejo núcleo, que excluem automóveis, gasolina, materiais de construção e alimentos, também apresentaram alta de 0,5%, ante 0,2% em maio. “O setor doméstico ainda se mantém firme, mas há sinais de moderação no consumo”, avaliou Sam Bullard, da Wells Fargo, à agência Reuters.
Efeito Trump
Levantamento da Quaest mostra Lula liderando todos os cenários simulados de primeiro turno para a eleição de 2026. No segundo turno, Lula também aparece à frente de todos os adversários, exceto Tarcísio de Freitas (Republicanos), com quem empata no limite da margem de erro.
O levantamento incluiu nomes como Michelle Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Ratinho Júnior, Eduardo Leite, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, mas nenhum deles conseguiu se aproximar da liderança de Lula nas simulações de primeiro turno.
É a primeira vez, desde março, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece atrás de Lula em uma simulação de segundo turno. Segundo a Quaest, Lula abriu seis pontos de vantagem após ter empatado na pesquisa anterior.
De acordo com Felipe Nunes, diretor da Quaest, a virada estaria ligada à associação entre Bolsonaro e o tarifaço de Donald Trump.
Lula veta o aumento de deputados
O presidente Lula vetou integralmente o projeto que aumentava de 513 para 531 o número de deputados federais, com base em argumentos de responsabilidade fiscal e eficiência administrativa.
O projeto foi aprovado para cumprir uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a redistribuição das cadeiras da Câmara com base nos dados do Censo de 2022. Para evitar a perda de vagas por estados menos populosos, o Congresso optou por aumentar o número total de assentos.
A proposta, no entanto, gerou forte reação negativa da opinião pública. Segundo a Quaest, 85% dos brasileiros se declararam contrários ao aumento no número de deputados federais.
Com o veto presidencial, a responsabilidade de aplicar a decisão do STF passa agora ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deverá redistribuir as cadeiras entre os estados sem alterar o número total de parlamentares.
Aumento do IOF
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, restabeleceu quase integralmente o decreto do governo que aumentou as alíquotas do IOF. A única exceção foi a tentativa de tributar operações de risco sacado, considerada inconstitucional por criar uma nova base de incidência sem respaldo legal específico.
Segundo Moraes, esse trecho violava o princípio da legalidade. O risco sacado é uma linha de crédito utilizada por pequenas empresas para antecipar valores com bancos, e seria fortemente impactado pela medida.
Com a decisão, voltam a vigorar as novas alíquotas sobre compras internacionais com cartão (3,5%), remessas ao exterior (3,5%), empréstimos a empresas (0,0082% ao dia), seguros VGBL (5%) e fundos de direitos creditórios (0,38%).
O governo estimava arrecadar R$ 12 bilhões com as mudanças no IOF em 2025, sendo R$ 1,2 bilhão apenas com o risco sacado.
Notas de dólar
Dado Ruvic/ Reuters