Dólar sobe a R$ 5,43 com foco na candidatura de Flávio Bolsonaro e na Superquarta; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,26% nesta terça-feira (9), cotado a R$ 5,4349. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em queda de 0,13%, aos 157.981 pontos. Os investidores reagir...

09/12/2025 | Economia

 

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em alta de 0,26% nesta terça-feira (9), cotado a R$ 5,4349. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em queda de 0,13%, aos 157.981 pontos.
Os investidores reagiram às novas notícias sobre a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026. A divulgação de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e a expectativa sobre as decisões de juros tanto lá quanto no Brasil também influenciaram os mercados.
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▶️ Mais cedo, Flávio Bolsonaro afirmou que sua candidatura à Presidência é “irreversível”, o que fez o dólar subir e a bolsa cair.
▶️ Esse movimento acontece porque, na visão de analistas, a entrada de Flávio na corrida eleitoral enfraquece a oposição e amplia as chances de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
🔎 Agentes do mercado acreditam que a manutenção do governo atual tornaria mais difícil realizar ajustes robustos nas contas públicas, o que impacta negativamente o Ibovespa e o câmbio.
▶️ No fim da tarde, a decisão da Câmara dos Deputados de votar do projeto que pode reduzir a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro levou o Ibovespa a inverter a tendência e passar a subir.
▶️ Isso porque, na visão do mercado, uma possível redução da pena de Bolsonaro no caso da tentativa de golpe poderia abrir espaço para negociar a retirada da candidatura de Flávio, reduzindo o suposto risco eleitoral e para as contas públicas.
▶️ O índice, no entanto, voltou a perder força e fechou em queda.
▶️ Na última sexta-feira (5), o anúncio da pré-candidatura de Flávio surpreendeu investidores e causou uma forte venda de ativos brasileiros. No dia, o Ibovespa tombou mais de 4%, interrompendo a sequência positiva dos últimos dias. O dólar disparou.
▶️ No cenário econômico, amanhã é dia de Superquarta, quando os bancos centrais do Brasil e dos EUA divulgam suas decisões sobre juros. A previsão é de corte de 0,25 ponto percentual nos EUA, enquanto, no Brasil, a aposta é pela manutenção da Selic em 15% ao ano.
No Brasil, a principal dúvida é quando terá início o ciclo de redução dos juros: em janeiro ou só em março. Nos EUA, além do corte previsto, o mercado aguarda o tom do comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
▶️ Nos EUA, o destaque de hoje foi o relatório Jolts de outubro, que indicou o número de vagas abertas, junto com a pesquisa semanal da ADP sobre emprego privado. Esses dados ajudam a ajustar expectativas para a decisão do Fed, prevista para amanhã.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado:
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,04%;
Acumulado do mês: +1,87%;
Acumulado do ano: -12,05%.
📈Ibovespa

C

Acumulado da semana: +0,39%;
Acumulado do mês: -0,69%;
Acumulado do ano: +31,34%.
Corrida eleitoral
Após ter sugerido que poderia desistir da sua candidatura à Presidência em 2026, Flávio Bolsonaro recebeu líderes partidários em um jantar em sua casa, noite de segunda-feira (8), para apresentar seu projeto e buscar apoio político.
👉 Participaram do encontro Antônio de Rueda (União Brasil), Valdemar Costa Neto (PL), Rogério Marinho (PL-RN) e Ciro Nogueira (Progressistas). Marcos Pereira (Republicanos) foi convidado, mas não compareceu.
Ao fim da reunião, Marinho afirmou que Flávio expôs suas propostas e reforçou que o PL já tem um nome para a disputa. Ele também disse que União Brasil e Progressistas foram “receptivos”, mas ainda avaliarão o posicionamento de suas bancadas.
Nenhum apoio formal foi anunciado. Segundo Marinho, os dirigentes dessas siglas devem consultar governadores, parlamentares e demais lideranças antes de tomar uma decisão.
Durante evento, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou apoio à pré-candidatura de Flávio. Disse manter “lealdade inegociável” a Jair Bolsonaro e que a escolha do ex-presidente pelo filho contará com seu respaldo.
Apesar disso, lideranças do Centrão têm demonstrado resistência ao nome de Flávio, segundo apuração do blog de Gerson Camarotti.
A avaliação é que uma candidatura da família Bolsonaro — mesmo com o ex-presidente condenado e preso — tende a fragmentar a direita no primeiro turno. A decisão também esvazia a viabilidade de Tarcísio, considerado o nome capaz de unificar o bloco e bem visto pelo mercado financeiro.
Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que o tema tem provocado reações imediatas no mercado, já que os investidores estão sensíveis a qualquer sinal que altere a percepção de risco fiscal.
Ele lembra que episódios recentes reforçam essa volatilidade: semanas atrás, a simples menção de uma proposta de transporte público gratuito na plataforma de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou a uma leitura de maior expansão fiscal à frente, o que pressionou os ativos locais.
“Da mesma forma, na sexta-feira, os ativos nacionais tiveram desempenho muito ruim após Flávio Bolsonaro indicar que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o escolheu como candidato à Presidência.”
Para o analista, o foco do investidor está em duas preocupações centrais:
a competitividade de Flávio Bolsonaro
e o risco de divisão de votos no campo da direita.
Mattos explica que o mercado enxerga o senador como “menos competitivo que nomes como Tarcísio de Freitas”, além de avaliar que uma possível fragmentação poderia aumentar as chances de reeleição de Lula.
“Esse cenário de incerteza aumenta a percepção de risco fiscal, eleva a exigência de prêmio pelos investidores e pressiona a taxa de câmbio, movimento que pode continuar até haver maior clareza.”
À espera dos juros
Um dos destaques desta semana fica com as decisões de juros do Banco Central do Brasil (BC) e do Federal Reserve (banco central dos EUA), ambas previstas para amanhã (10) — na chamada Superquarta.
Por aqui, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa básica de juros (Selic) inalterada em 15% ao ano mais uma vez. Em falas recentes, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, já indicou que os juros devem permanecer elevados, reiterando que as decisões do BC são embasadas em fatos e dados.
Em evento no início deste mês, o banqueiro central já havia dito que os dados de desemprego de outubro mostram um cenário econômico mais complexo do que o esperado, afirmando que esse contexto exige uma atuação mais conservadora na condução da política monetária.
🔎 A taxa de desemprego recuou para 5,4% no trimestre encerrado em outubro — o menor nível desde o início da série histórica, em 2012 — mesmo diante de um quadro de juros elevados e sinais mistos no mercado de trabalho.
"O Brasil vive um contexto em que variáveis que normalmente caminham juntas passaram a se mover em direções inesperadas — como juros altos acompanhados simultaneamente por queda do desemprego e da inflação", afirmou à época.
Já nos EUA, a maior parte dos investidores acredita que o Fed deve reduzir as taxas norte-americanas em 0,25 ponto percentual, dando continuidade ao ciclo de corte de juros.
As apostas foram reforçadas após o PCE de setembro, divulgado em atraso por conta da paralisação de 43 dias do governo norte-americano.
O indicador, que é a medida de inflação preferida do Fed, indicou que os gastos do consumidor dos EUA aumentaram em linha com as previsões em setembro, enquanto os preços básicos subiram 2,8% em relação ao ano anterior — patamar levemente abaixo da expectativa do mercado, de alta de 2,9%.
Agenda econômica
Vagas de empregos nos EUA
As vagas de emprego em aberto nos EUA registraram uma leve alta em outubro, mas as contratações continuaram fracas, refletindo a incerteza que ainda marca a economia norte-americana.
🔎 Os dados fazem parte do relatório JOLTS (Job Openings and Labor Turnover Survey), pesquisa mensal do Departamento do Trabalho dos EUA que acompanha postos abertos, admissões e desligamentos.
O número de vagas disponíveis — indicador que mostra a demanda das empresas por trabalhadores — subiu em 12 mil, totalizando 7,67 milhões no fim de outubro.
Analistas consultados pela Reuters esperavam um número bem menor, de 7,15 milhões de vagas não preenchidas.
Apesar do aumento na abertura de postos, as empresas contrataram menos. As admissões caíram em 218 mil, chegando a 5,149 milhões em outubro.
O relatório também incorporou informações de setembro, mês cujo dado oficial não havia sido divulgado por causa de uma paralisação de 43 dias no governo federal.
O Departamento do Trabalho explicou que, para outubro, suspendeu temporariamente o uso de um dos métodos estatísticos que ajusta os resultados mês a mês. A metodologia será retomada quando forem publicadas as estimativas finais.
Em setembro, havia 7,658 milhões de vagas abertas e 5,367 milhões de contratações.
A leitura dos dois meses reforça a ideia de um mercado de trabalho estagnado — um cenário que economistas têm descrito como “sem contratações, sem demissões”, quando empresas nem expandem significativamente suas equipes nem promovem cortes expressivos.
Essa estagnação tem sido associada principalmente à menor oferta de trabalhadores. Houve uma redução da imigração a partir do último ano do governo Joe Biden, aprofundada durante o segundo mandato de Donald Trump, o que diminuiu a entrada de novos profissionais no mercado.
Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial em algumas áreas reduziu a necessidade de mão de obra, sobretudo em funções de entrada.
Emprego no setor privado americano
De acordo com a ADP, os empregadores do setor privado americano criaram, em média, 4.750 vagas por semana nas quatro semanas encerradas em 22 de novembro. Os dados são preliminares e podem ser revisados à medida que novas informações forem incluídas.
O resultado representa uma melhora após quatro semanas consecutivas em que as estimativas apontavam redução de postos de trabalho. Em novembro, porém, o setor privado ainda registrou um saldo negativo de 32 mil vagas.
O relatório também chama atenção para o papel das pequenas empresas na economia americana. Historicamente, segundo a própria ADP, esses estabelecimentos são responsáveis por quase dois terços dos novos empregos criados no país.
Mesmo assim, o desempenho recente foi fraco:
na leitura divulgada na semana passada, o Relatório Nacional de Emprego da ADP mostrou que as pequenas empresas perderam 120 mil vagas em novembro, enquanto as companhias de médio e grande porte abriram 90 mil postos.
nos três meses anteriores, entre agosto e outubro, os pequenos negócios já vinham eliminando, em média, 34 mil empregos por mês.
As perdas de novembro foram amplas e atingiram praticamente todos os grandes setores da economia. Apenas educação e saúde e recursos naturais conseguiram registrar crescimento no número de trabalhadores.
Entre os segmentos que mais cortaram vagas, o relatório destaca as pequenas empresas da indústria de manufatura e as do setor de serviços profissionais e empresariais.
As pequenas empresas foram afetadas de forma geral: perderam empregos tanto em atividades ligadas à produção de bens quanto nos serviços, e tanto em negócios do tipo B2B (voltados a outras empresas) quanto em atividades destinadas diretamente ao consumidor final.
Bolsas globais
Em Wall Street, os principais índices fecharam sem direção única nesta terça-feira, com os investidores aguardando a decisão de política monetária do Federal Reserve.
Outro ponto de atenção é a autorização do governo americano para que a Nvidia volte a vender chips de inteligência artificial à China, medida que impulsionou as ações da empresa e de outras companhias de tecnologia.
O Dow Jones recuou 0,37%, aos 47.560,81 pontos, e o S&P 500 teve perdas de 0,09%, aos 6.840,52 pontos. O Nasdaq, por sua vez, avançou 0,13%, aos 23.576,49 pontos.
Na Europa, as bolsas fecharam majoritariamente em queda, acompanhando o clima de cautela global antes da decisão do Fed.
Investidores monitoram ainda reuniões de outros bancos centrais: o Banco Nacional Suíço divulga sua decisão na quinta-feira, enquanto o Banco da Inglaterra e o BCE se reúnem na próxima semana.
No fechamento, o índice STOXX 600 recuou 0,04%, aos 578,11 pontos. O FTSE 100, de Londres, teve baixa de -0,03%, aos 9.642,01 pontos, e o CAC 40, de Paris, caiu 0,69%, aos 8.052,51 pontos. Por outro lado, o DAX, de Frankfurt, avançou 0,49%, aos 24.162,65 pontos.
Na Ásia, o dia foi de quedas nas bolsas da China e de Hong Kong, após a liderança chinesa sinalizar que não pretende adotar novos estímulos no curto prazo, apesar das tensões comerciais e das dificuldades do setor imobiliário. Em outras praças da região, o movimento foi misto.
No fechamento: em Xangai, o índice SSEC caiu 0,37%, para 3.909 pontos, e o CSI300 recuou 0,51%, a 4.598 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,29%, para 25.434 pontos. Já o Nikkei, em Tóquio, subiu 0,1%, para 50.655 pontos.
Notas de dólar.
Murad Sezer/ Reuters
*Com informações da agência de notícias Reuters