Ex-banqueiro suíço admite pagar R$ 500 milhões em propina e recebe pena de 2 anos
Pierre Mirabaud, acusado de pagar propina a um funcionário do Kuwait. Divulgação/Fabrice Coffrini/AFP Pierre Mirabaud, de 77 anos, ex-sócio do banco privado suíço Mirabaud & Cie e ex-presidente da associação dos bancos da Suíça, pagou US$ 101,7...
08/09/2026 | Economia

Pierre Mirabaud, acusado de pagar propina a um funcionário do Kuwait.
Divulgação/Fabrice Coffrini/AFP
Pierre Mirabaud, de 77 anos, ex-sócio do banco privado suíço Mirabaud & Cie e ex-presidente da associação dos bancos da Suíça, pagou US$ 101,7 milhões (R$ 518,67 milhões) em propina a um funcionário do governo do Kuwait.
O suíço foi condenado nesta terça-feira (8) a dois anos de prisão, mas não precisará cumprir a pena.
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Segundo a acusação do Ministério Público Federal da Suíça, Mirabaud fez centenas de pagamentos a um funcionário do governo do Kuwait entre 2000 e 2012. Em troca, o funcionário teria direcionado US$ 595,2 milhões (R$ 3,035 bilhões) em negócios para o banco.
Segundo a acusação, Mirabaud sabia dos riscos dos pagamentos e aceitava as possíveis consequências caso o esquema fosse descoberto.
O julgamento no Tribunal Penal Federal da Suíça, em Bellinzona, durou apenas meio dia. Mirabaud admitiu os principais fatos apresentados no processo, que envolve corrupção e lavagem de dinheiro.
Seu advogado, Saverio Lembo, afirmou que a suspensão da pena levou em consideração a colaboração de Mirabaud com as autoridades durante a investigação.
"Ele agora aceita as consequências de suas ações, de acordo com os princípios de responsabilidade individual que considera importantes", disse o advogado.
Idade e colaboração pesaram na sentença
Na Suíça, crimes de corrupção e lavagem de dinheiro podem resultar em multa ou pena de até cinco anos de prisão.
No caso de Mirabaud, os promotores pediram uma pena de 24 meses, considerando sua idade, a ausência de condenações anteriores e sua colaboração com os investigadores.
A pena foi suspensa. Na Suíça, isso geralmente ocorre quando não há expectativa de que a pessoa volte a cometer crimes.
O funcionário do governo do Kuwait envolvido no caso morreu. Ele havia sido condenado no país, mesmo sem estar presente no julgamento, por corrupção e desvio de dinheiro público.
Banco não é parte do processo
O Mirabaud & Cie não é parte do processo e recusou-se a comentar o caso. Fundado em 1819, em Genebra, o banco é uma das instituições privadas mais antigas da Suíça e atualmente é administrado pela sétima geração da família fundadora.
Em 2024, a FINMA, autoridade responsável pela fiscalização do mercado financeiro suíço, informou ter confiscado 12,7 milhões de francos suíços em lucros obtidos ilegalmente pelo banco.
A medida foi tomada após a identificação de violações das regras do mercado financeiro e das normas de prevenção à lavagem de dinheiro.
Segundo a FINMA, a investigação envolveu relações comerciais que, em determinados momentos, representavam quase 10% de todo o dinheiro administrado pelo banco. O caso estava ligado a um empresário acusado de sonegação de impostos, que também morreu.
A autoridade não revelou os nomes das pessoas envolvidas. Na época, o Mirabaud afirmou ter colaborado integralmente com a FINMA para solucionar o caso e disse que a decisão "encerra o passado".