Ibovespa cai mais de 3% com guerra no Oriente Médio e dados do PIB do Brasil; dólar sobe a R$ 5,26

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar disparou nesta terça-feira (3), conforme investidores seguiam atentos à escalada da guerra no Oriente Médio. A moeda fechou com alta de 1,91% na sessão, cotada a R$ 5,2645. Na máxima do d...

03/03/2026 | Economia

 

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar disparou nesta terça-feira (3), conforme investidores seguiam atentos à escalada da guerra no Oriente Médio. A moeda fechou com alta de 1,91% na sessão, cotada a R$ 5,2645. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,3428.
As preocupações com o cenário geopolítico também se refletiam no Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira. O índice, que chegou a cair quase 5% no início da tarde, mas reduziu as perdas e fechou com queda de 3,46%, aos 182.763 pontos, acompanhando a queda generalizada dos mercados globais.
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▶️ Pela manhã, Israel e Irã trocaram novos bombardeios, e explosões foram ouvidas em diversos países do Oriente Médio. O número de mortos no Irã subiu para 787. Já durante a tarde, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que "praticamente tudo" foi destruído no Irã e anunciou que uma nova onda de ataques ocorrerá "em breve".
▶️ Além disso, na véspera, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar qualquer navio que tente atravessar a rota. A notícia fez disparar os preços do petróleo e aumentou o receio de investidores com aplicações mais arriscadas.
Nesta terça, os preços do petróleo seguem em trajetória de alta. O barril Brent 4,71% cotado a US$ 81,40. No início de 2026, custava US$ 60.
Os investidores temem que a guerra cause prejuízos na economia e elevação dos preços da energia, causando inflação e segurando os juros mais altos ao longo do ano. O movimento adotado é de vender ações e buscar proteção em ativos mais seguros, como o dólar.
"Nesse cenário, bolsas de outros países e também a brasileira registram perdas. No Brasil, os efeitos atingem principalmente ações de bancos, e investidores estrangeiros estão retirando dinheiro do mercado", afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
"O pano de fundo é um mercado que passa a se preparar para um conflito mais longo, riscos fiscais crescentes e potencial instabilidade regional mais ampla, aumentando a volatilidade e reduzindo o apetite por investimentos mais arriscados."
▶️Em meio à tensão no Oriente Médio, falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) também ficaram no radar, conforme investidores seguem atentos a sinais da instituição sobre quais os próximos passos na condução dos juros, em meio aos eventuais impactos da alta do petróleo nos preços.
▶️ No Brasil, o destaque fica por conta da divulgação do PIB de 2025, divulgado pelo IBGE. A economia brasileira cresceu 2,3% no ano passado, menor alta em cinco anos. O dado também representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%.
▶️ Também nesta terça foram divulgados os dados de criação de empregos formais no Brasil em janeiro, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De acordo com o ministério do Trabalho e Emprego, o país abriu 112.334 vagas formais de trabalho no início do ano.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,62%;
Acumulado do mês: +0,62%;
Acumulado do ano: -5,88%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,28%;
Acumulado do mês: +0,28%;
Acumulado do ano: +17,49%.
Petróleo em disparada
Os preços do petróleo continuam em forte alta nos mercados internacionais depois que o Irã declarou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou atacar qualquer navio que tentasse cruzar a rota. No meio da tarde, o barril do petróleo tipo Brent subia mais de 5%, cotado acima de US$ 82.
A região é estratégica para o comércio global de energia, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, o que aumentou o temor de desabastecimento e disparou os preços da commodity.
A alta já vinha sendo impulsionada pela intensificação da guerra no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que também atingiram instalações do setor de energia.
Com isso, países da região interromperam preventivamente a produção de petróleo e gás, como Catar, Arábia Saudita e Israel, agravando as preocupações com a oferta global.
Além do petróleo, o fornecimento de gás natural também foi afetado, reforçando a pressão sobre os preços da energia. O avanço do conflito elevou a percepção de risco nos mercados financeiros, que passaram a monitorar possíveis impactos sobre a inflação e o crescimento econômico mundial.
🛢️ A forte alta do petróleo beneficia as empresas do setor porque elas vendem a commodity a preços internacionais. Quando o barril sobe, a receita dessas companhias tende a aumentar, o que melhora a perspectiva de lucro e impulsiona suas ações na bolsa.
Nem mesmo a disparada do petróleo tem conseguido sustentar as ações do setor. Apesar da forte alta da commodity, os papéis da Petrobras — que subiram mais de 4% na véspera — avançam pouco nesta terça-feira, figurando entre as poucas altas da bolsa brasileira.
“É um momento de grande cautela. O cenário internacional concentra muitos riscos e, sobretudo, falta clareza sobre os próximos passos do conflito. O investidor prefere ambientes mais previsíveis, e hoje o mercado opera sob forte incerteza”, afirma Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.
PIB brasileiro
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, segundo o IBGE, desacelerando frente aos 3,4% de 2024 e registrando o menor avanço em cinco anos.
Ainda assim, foi o quinto ano seguido de crescimento da economia. No quarto trimestre, a alta foi de apenas 0,1%, indicando estagnação no fim do ano. O principal motor do crescimento foi a agropecuária, que avançou 11,7%, impulsionada por safras recordes de milho e soja.
O setor de serviços cresceu 1,8%, mesmo com juros elevados, enquanto a indústria teve alta modesta de 1,4%, sustentada pelas indústrias extrativas (óleo e gás).
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias subiu 1,3%, desacelerando em relação a 2024 por causa dos juros altos e do endividamento.
Os investimentos do governo cresceram 2,9%, apoiados pela importação de bens de capital e pela construção. Exportações avançaram 6,2%, e importações, 4,5%.
💰 Embora a economia brasileira tenha começado o ano em ritmo mais forte, para muitos brasileiros, a sensação foi de que o dinheiro continuou curto no final do mês. Entenda por que o brasileiro não percebe a melhora da economia.
Mercados globais
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam no vermelho nesta terça-feira, conforme investidores seguem preocupados com o conflito no Oriente Médio e seus potenciais efeitos na economia global.
No fechamento, o S&P 500 perdeu 0,94%, para 6.816,59 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 1,00%, para 22.521,24 pontos. O Dow Jones caiu 0,82%, para 48.505,21 pontos.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 caiu 3,08%, aos 604,44 pontos, no nível mais baixo em um mês. O movimento de queda foi generalizado entre as principais bolsas da região e também refletiu os temores do mercado acerca da guerra no Irã.
A preocupação é que o conflito prolongado encareça combustíveis, transporte e produtos em geral, prejudicando a economia.
Entre os destaques, o índice FTSE 100, de Londres, caiu 2,75%, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuou 3,44% e o CAC-40, de Paris, teve queda de 3,46%.
As bolsas da Ásia também fecharam em queda nesta terça-feira. Na China, o índice de Xangai recuou 1,43%, aos 4.122 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, para 4.655 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,12% e terminou o dia em 25.768 pontos.
No Japão, o Nikkei despencou 3,1%, aos 56.279 pontos, e na Coreia do Sul o Kospi teve queda acentuada de 7,24%, fechando em 5.791 pontos. Em Taiwan, o Taiex recuou 2,20%, para 34.323 pontos, enquanto na Austrália o S&P/ASX 200 caiu 1,34%, aos 9.077 pontos.
A única exceção foi Cingapura, onde o Straits Times subiu 0,53%, para 4.916 pontos.
Painel eletrônico mostra as recentes flutuações de ações na B3 em 28 de outubro de 2021
REUTERS/Amanda Perobelli