Petróleo oscila após atingir US$ 111 em meio a impasse sobre acordo de paz no Oriente Médio

Bombas de extração de petróleo inativas em um campo agrícola em Dacano, Colorado, nos EUA. Kevin Mohatt / Reuters O preço do petróleo oscilou forte nesta segunda-feira (18) após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao I...

18/05/2026 | Economia

 

Bombas de extração de petróleo inativas em um campo agrícola em Dacano, Colorado, nos EUA.
Kevin Mohatt / Reuters
O preço do petróleo oscilou forte nesta segunda-feira (18) após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã e impasses nas negociações por um acordo de paz no Oriente Médio.
🔎 O petróleo Brent, referência internacional, chegou a subir 1,9%, para US$ 111,31 por barril nas primeiras horas desta segunda. Já o WTI, referência nos EUA, avançou 2,3%, a US$ 107,83.
Durante a manhã, os preços caíram após o Paquistão entregar aos EUA uma nova proposta do Irã para encerrar a guerra. Depois, voltaram a subir com a notícia de que os americanos rejeitaram a oferta iraniana.
🔎 Por volta das 14h09 (horário de Brasília), o Brent subia 1,09%, a US$ 110,45, enquanto o WTI avançava 1,39%, a US$ 102,42.
Veja os vídeos em alta no g1
Vídeos em alta no g1
Os Estados Unidos rejeitaram uma nova proposta do Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio, segundo fontes do governo americano ouvidas pelo site Axios.
A oferta havia sido enviada por Teerã por meio do Paquistão, que atua como mediador nas negociações.
Segundo autoridades americanas, a proposta iraniana não trouxe mudanças suficientes para avançar em um acordo definitivo de paz.
Apesar de o Irã não ter divulgado oficialmente os detalhes do texto, fontes iranianas disseram à Reuters que a proposta incluía o fim permanente da guerra, a retirada das sanções dos EUA, a reabertura do Estreito de Ormuz e a liberação de recursos iranianos bloqueados.
As negociações acontecem em meio a um cessar-fogo considerado frágil, após seis semanas de guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Uma autoridade paquistanesa afirmou que os dois lados seguem “mudando as regras do jogo” e alertou que “não há muito tempo” para evitar o fracasso das conversas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou a pressão ao afirmar que “o tempo está se esgotando” para um acordo. Em publicações na rede Truth Social, Trump fez ameaças ao Irã e compartilhou imagens provocativas produzidas com inteligência artificial.
Imagem postada por Trump do Irã com bandeira americana ao fundo e setas vindas de países vizinhos
Truth Social / Reprodução
Os EUA exigem que o Irã encerre seu programa nuclear e suspenda o bloqueio ao Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás consumidos no mundo.
Já o governo iraniano pede indenizações pelos danos da guerra, o fim do bloqueio americano aos seus portos e a interrupção dos conflitos em outras regiões, como no Líbano, onde Israel combate o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã.
A tensão no Oriente Médio também mexeu com o mercado de energia. Investidores temem problemas no transporte global de petróleo, principalmente porque o Estreito de Ormuz segue parcialmente fechado.
O cenário piorou após um ataque de drone contra uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos.
Analistas do banco ING afirmaram que o risco de uma nova escalada do conflito continua aumentando.
Impacto nos mercados globais
A alta dos custos de energia elevou as expectativas de inflação e pressionou as bolsas globais nesta segunda. Na Ásia, a maior parte dos mercados fechou em queda:
Tóquio (Nikkei 225): caiu 0,9%, para 60.843,09 pontos.
Hong Kong (Hang Seng): perdeu 1,6%, para 25.543,32 pontos.
Xangai: recuou 0,1%, também pressionado por dados fracos do varejo chinês em abril.
Austrália (S&P/ASX 200): caiu 1,4%.
Em Nova York, os principais índices operavam sem direção única. O Dow Jones avançava 0,16%, enquanto o S&P 500 subia 0,30% e o Nasdaq ganhava 0,78%. (Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado)
A alta do petróleo aumentou o temor de inflação e mexeu com os mercados financeiros. Nos Estados Unidos, os juros pagos pelos títulos públicos de 10 anos subiram para cerca de 4,63%, acima do nível de quase 4% visto antes do conflito no Oriente Médio.
No Japão, os juros desses títulos chegaram a 2,8%, o maior patamar desde o fim dos anos 1990, diante da expectativa de preços mais altos e do aumento gradual dos juros pelo banco central japonês.
No câmbio, o dólar ficou mais forte frente ao iene japonês, enquanto o euro registrava leve alta em relação à moeda americana.
Com informações da Associated Press e Reuters*